quarta-feira, 26 de setembro de 2007
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
Análise do conto “A terceira margem do rio (Conto de Primeiras estórias)”, Guimarães Rosa
TRABALHO DE TEORIA DA LITERATURA II
A terceira margem do rio, da obra Primeiras estórias, de Guimarães Rosa, conta a história de um homem que evade de toda e qualquer convivência com a família e com a sociedade, preferindo a completa solidão do rio, lugar em que, dentro de uma canoa, passa o resto de sua vida, mostrando, também, o tempo cronológico que é um longo período, a vida do narrador.
O narrador é narrador-personagem e nos dá a conhecer um ser humano cujos ideais de vida divergem dos padrões aceitos como normais. Trata-se do pai do narrador, o qual com sua atitude obstinada, ao mesmo tempo, afronta e perturba seus familiares e conhecidos, que se vêem obrigados a questionar as razões de seu isolamento e alienação. “Sei que agora é tarde, e temo abreviar com a vida, nos rasos do mundo. Mas, então ao menos, que, no artigo da morte...”Aí, percebe-se que a temática é a morte.
Os personagens são: filho (narrador-personagem), pai (“virara cabeludo, barbudo, de unhas grandes, mal e magro, ficado preto de sol e dos pêlos, com aspecto de bicho, conforme quase nu, mesmo dispondo das peças de roupas que a gente de tempos em tempos fornecia”), mãe, irmã, irmão, tio (irmão da mãe), mestre, Padre, dois soldados e jornalistas.
Esses personagens, sem nomes, acabam se caracterizando como tipos sociais, por suas funções na história. A observação desse aspecto já mostra, no pai, a tendência ao isolamento. Sempre fora a mãe a responsável pelo comando prático da família. O pai, sempre quieto. O filho e narrador não foi aceito na infância para companheiro do pai no seu desafio. Na maturidade, quando tem a oportunidade, acha não estar preparado para ir rumo ao desconhecido, no lugar do pai.
O ambiente em que a história se passa é num rio, demonstrando também a área rural “Mandou vir o tio, irmão dela, para auxiliar na fazenda...”. “... aproava a canoa no brejão, de léguas, que há, pó entre juncos e mato, e só ele conhece-se, a palmos a escuridão daquele...”.
Outro detalhe é a oralidade é reproduzida na fala do narrador: “Do que eu mesmo me alembro, ele não figurava mais estúrdio nem mais triste do que os outros, conhecidos nossos. Só quieto. Nossa mãe era quem ralhava no diário com a gente.”
Com frases, curtas e independentes, garante um ritmo lento e pausado à leitura: “Ele me escutou. Ficou em pé. Manejou remo n'água, proava para cá concordando.”.
"Cê vai, ocê fique, você nunca volte!" Nesta citação podemos perceber o lado poético do conto. Já a antítese "perto e longe de sua família dele", além do próprio caráter metafórico do rio.
Neste conto o tempo cronológico é de um longo período, toda a vida do narrador. Mas a intensidade com que as impressões e o amadurecimento do narrador são trabalhados dão enfoque ao tempo psicológico. “Nosso pai era um homem cumpridor, ordeiro, positivo, e sido assim, desde mocinho, e menino, pelo que testemunharam as diversas sensatas pessoas, quando indaguei a informação. Do que eu me alembro, ele não figurava mais estúrdio nem mais triste do que os outros, conhecidos nossos. Só quieto. Nossa mãe era quem regia...” “ A gente teve de se acostumar com aquilo.”
O interessante a ser notado é que o narrador, quando criança, queria embarcar com o pai. Este o impediu. Adulto, intui o porquê da busca do pai e, chegando-se à margem do rio, diz que quer substituí-lo. É o único momento em que o velho se manifesta, indo em direção à margem. No entanto, o narrador fica com medo da imagem do pai, que parecia vir do outro mundo. Foge. “ Por pavor, arrepiados os cabelos, corri, fugi, me tirei de lá, num procedimento desatinado.”. Por isso, torna-se a única personagem fracassada, pois não foi capaz de superar seu medo e ficar no lugar do pai.
Por fim, podemos considerar “A terceira margem do rio” como um conto pela sua brevidade nas ações, pela sua clareza, além de possuir poucos personagens, causar um efeito singular no leitor e despertar emoções.
Referência bibliográfica:
ROSA, Guimarães. A terceira margem do rio. In: _____. Primeiras estórias. Rio de
Janeiro: J. Olympio, 1981. p. 27-32.
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=GUIMAR%C3%83ES_ROSA&action=edit
http://www.portrasdasletras.com.br/pdtl2/sub.php?op=resumos/docs/aterceiramargemdorio
A terceira margem do rio, da obra Primeiras estórias, de Guimarães Rosa, conta a história de um homem que evade de toda e qualquer convivência com a família e com a sociedade, preferindo a completa solidão do rio, lugar em que, dentro de uma canoa, passa o resto de sua vida, mostrando, também, o tempo cronológico que é um longo período, a vida do narrador.
O narrador é narrador-personagem e nos dá a conhecer um ser humano cujos ideais de vida divergem dos padrões aceitos como normais. Trata-se do pai do narrador, o qual com sua atitude obstinada, ao mesmo tempo, afronta e perturba seus familiares e conhecidos, que se vêem obrigados a questionar as razões de seu isolamento e alienação. “Sei que agora é tarde, e temo abreviar com a vida, nos rasos do mundo. Mas, então ao menos, que, no artigo da morte...”Aí, percebe-se que a temática é a morte.
Os personagens são: filho (narrador-personagem), pai (“virara cabeludo, barbudo, de unhas grandes, mal e magro, ficado preto de sol e dos pêlos, com aspecto de bicho, conforme quase nu, mesmo dispondo das peças de roupas que a gente de tempos em tempos fornecia”), mãe, irmã, irmão, tio (irmão da mãe), mestre, Padre, dois soldados e jornalistas.
Esses personagens, sem nomes, acabam se caracterizando como tipos sociais, por suas funções na história. A observação desse aspecto já mostra, no pai, a tendência ao isolamento. Sempre fora a mãe a responsável pelo comando prático da família. O pai, sempre quieto. O filho e narrador não foi aceito na infância para companheiro do pai no seu desafio. Na maturidade, quando tem a oportunidade, acha não estar preparado para ir rumo ao desconhecido, no lugar do pai.
O ambiente em que a história se passa é num rio, demonstrando também a área rural “Mandou vir o tio, irmão dela, para auxiliar na fazenda...”. “... aproava a canoa no brejão, de léguas, que há, pó entre juncos e mato, e só ele conhece-se, a palmos a escuridão daquele...”.
Outro detalhe é a oralidade é reproduzida na fala do narrador: “Do que eu mesmo me alembro, ele não figurava mais estúrdio nem mais triste do que os outros, conhecidos nossos. Só quieto. Nossa mãe era quem ralhava no diário com a gente.”
Com frases, curtas e independentes, garante um ritmo lento e pausado à leitura: “Ele me escutou. Ficou em pé. Manejou remo n'água, proava para cá concordando.”.
"Cê vai, ocê fique, você nunca volte!" Nesta citação podemos perceber o lado poético do conto. Já a antítese "perto e longe de sua família dele", além do próprio caráter metafórico do rio.
Neste conto o tempo cronológico é de um longo período, toda a vida do narrador. Mas a intensidade com que as impressões e o amadurecimento do narrador são trabalhados dão enfoque ao tempo psicológico. “Nosso pai era um homem cumpridor, ordeiro, positivo, e sido assim, desde mocinho, e menino, pelo que testemunharam as diversas sensatas pessoas, quando indaguei a informação. Do que eu me alembro, ele não figurava mais estúrdio nem mais triste do que os outros, conhecidos nossos. Só quieto. Nossa mãe era quem regia...” “ A gente teve de se acostumar com aquilo.”
O interessante a ser notado é que o narrador, quando criança, queria embarcar com o pai. Este o impediu. Adulto, intui o porquê da busca do pai e, chegando-se à margem do rio, diz que quer substituí-lo. É o único momento em que o velho se manifesta, indo em direção à margem. No entanto, o narrador fica com medo da imagem do pai, que parecia vir do outro mundo. Foge. “ Por pavor, arrepiados os cabelos, corri, fugi, me tirei de lá, num procedimento desatinado.”. Por isso, torna-se a única personagem fracassada, pois não foi capaz de superar seu medo e ficar no lugar do pai.
Por fim, podemos considerar “A terceira margem do rio” como um conto pela sua brevidade nas ações, pela sua clareza, além de possuir poucos personagens, causar um efeito singular no leitor e despertar emoções.
Referência bibliográfica:
ROSA, Guimarães. A terceira margem do rio. In: _____. Primeiras estórias. Rio de
Janeiro: J. Olympio, 1981. p. 27-32.
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=GUIMAR%C3%83ES_ROSA&action=edit
http://www.portrasdasletras.com.br/pdtl2/sub.php?op=resumos/docs/aterceiramargemdorio
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
Assinar:
Postagens (Atom)